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ATRAVÉS DO TÚNEL


por Martin Brofman, Ph.D.

 

 Uma experiência perto da morte


 

Eu estava no Hospital Episcopal na Filadélfia. Tinha acabado de ser informado que eu tinha um “bloqueio” na minha coluna dorsal, da quarta á sétima vértebra ao nível do pescoço, que tinham sido responsáveis pelos sintomas que andava a vivenciar. O meu braço direito estava paralisado, as minhas pernas estavam com espasmos, e haviam sensações como choques eléctricos pelo meu corpo quando eu mexia a minha cabeça.
Foi-me dito que eu tinha de ser operado imediatamente e que se eu sobrevive-se a operação era capaz de sair tetraplégico. Quando eu perguntei se tinha tempo para uma segunda opinião foi-me dito. Claro que concordei em ser operado em poucas horas.


Eu realizei de acordo com o que os médicos tinham dito que eu podia estar morto daqui a algumas horas. Eu passei pelos estágios que muitas pessoas passam quando sabem que estão prestes a morrer. Primeiro, tive a sensação de que isto era um filme e que estas coisas não me estavam a acontecer realmente a mim. Eu encontrei-me a negociar com o que estava a acontecer, a fazer uma negociação se eu podia para que algo diferente podesse acontecer. Lentamente, a realização de que era real, e de que estava acontecer comigo ia se chegando cada vez mais perto, até que eu emocionalmente tive que aceitar de que eu dentro de muito pouco tempo podia estar morto.


Quando eu aceitei o inaceitável p meu corpo abanou violentamente á medida que uma intensa energia passou através de mim. Eu abri-me cada vez mais a ela, e depois de um ou dois minutes muito longos estava completo. Eu senti uma calma interior que eu não tinha conhecimento antes. Todos os meus sentidos estavam mais apurados, a minha visão estava mais nítida. As cores estavam mais brilhantes. A audição estava mais apurada. As sensações estavam mais vivas.


Eu realizei que tinha libertado um filtro percepcional que tinha estado entre mim e a experiência da vida, e ironicamente tinha sido o medo de morrer. Agora que tinha liberto este medo eu estava a vivênciar mais a vida, mais o sentido de estar vivo, mesmo que só por pouco mais tempo.
Eu pensei na vida que tinha levado, das coisas que podia ter feito e não e encontrei-me a dizer-me a mim próprio “ Quem me dera ter feito” havia muitos “Quem me dera” Eu pensei para mim mesmo que era na verdade uma maneira triste de acabar uma vida, e que se eu tivesse que o fazer outra vez haveria muitos “ Estou contente por ter feito”


Eu tinha que decidir o que fazer com o tempo que me restava. Se eu passa-se o resto do tempo a preocupar-me ou a sentir-me mal sobre o que era, na verdade, inevitável, eu teria apenas desperdiçado o resto da minha vida, deitado-a fora e era muito valiosa para isso.


Eu decidi passar o resto do meu tempo a sentir-me bem e apenas a pensar nas coisas que me ajudavam a sentir-me bem - a cor das paredes, o cheiro das flores no quarto, qualquer coisa positiva. Eu sabia que podia sempre encontrar alguma coisa.


Finalmente a altura chegou. Eu fui levado para a sala de operações e enquanto estava a ser anestesiado pensei que talvez fosse a minha ultima experiência que eu alguma vez teria.
Eu não fazia ideia do que poderia vir depois. Eu tinha sido agnóstico, sem crenças, não acreditando em nada que não tivesse vivido. Talvez o próximo passo depois da morte era apenas oblívio.


Eu larguei.


Eu comecei a vivenciar uma vertigem, uma sensação giratória, e não me fez sentir nada bem então eu estabilizei-me no centro de até eu estar quieto, e tudo o resto estava a girar á minha volta. Eu estava a movimentar-me pelas cenas giratórias á minha volta que eram memórias da vida que tinha vivido, memórias que chamavam a minha atenção. Se eu punha a minha atenção nelas eu sentia-me “puxado” porque eu estava a movimentar por estas memórias giratórias, como sendo puxado por um túnel, ou a cair por um poço mas descobrindo a metade do poço. Tentar chegar ás paredes não funcionava. A minha única esperança seria apontar-me á agua no fundo. Eu tinha de tirar a minha atenção destas cenas, ai, estas memórias e por a minha atenção ao local onde estava a ser atraído, apontar a ele. Eu estava a direccionar-me lá de quaisquer das maneiras, as apontarem a isso deu-me o sentido de estar no lugar do condutor isso era bem mais confortável para mim. Era um pouco como andar numa montanha russa no carro da frente e fingir que estás a guiar ao longo dos carris. Dá uma viagem totalmente diferente, eu posso-te assegurar, do que ser levado fora de controle. A viagem foi grande mas eu não tinha mais nada para fazer do que ir-me a ela. Finalmente o fim do túnel estava á vista. Eu sai para um tipo de espaço, uma quietude, onde havia um brilhar de energia a dirigir-se a mim. Era uma partícula de vida, energia a brilhar de inteligência, não numa forma humana, apenas pura consciência. Parecia a alguma distância, havia outra partícula apenas a observar a cena


Eu senti-me como se tivesse a ter uma entrevista de saída, uma coisa parecida como, “ Bem a tua viagem agora acabou, então completa coisas na tua consciência sobre isso, e nós seguimos. “ Eu olhei para trás e vi a minha vida como a tinha vivido, completei os meus pensamentos sobre coisas que tinham acontecido, compreendi muitas coisas de maneira diferente e depois expressei que estava pronto para partir.


O Ser começou a afastar-se. Eu comecei a segui-lo e depois parei. O Ser perguntou-me qual tinha sido o pensamento que entrara na minha consciência naquele momento, eu tinha pensado que seria uma pena as minhas filhas terem crescido sem um pai nas suas vidas. Eu tinha passado um grande bocado da minha vida sem um pai e tal como as minhas filhas não gostaria de ter passado por isso. Quaisquer das maneiras eu estava pronto para partir.


O Ser disse-me por a razão de eu querer voltar era de alguém fora de mim, era me permitido voltar. Antes de eu ter tempo de expressar que eu não queria realmente voltar, houve um rápido e confuso movimento, alguma coisa aconteceu, a partícula(spark) que tinha estado a “observar” de alguma forma fazia parte da cena e logo depois eu estava a acordar neste corpo, numa dor traumática, num drama intenso á minha volta no hospital.
Eu senti como se tivesse acabado saltado para dentro de um filme que tinha estado em curso, mas que não tinha sido eu quem estava dentro do corpo antes daquele momento. Por causa do trauma e do drama, a minha atenção estava direccionada as coisas que estavam a acontecer no mundo físico e a memória do que tinha acabado de acontecer estava a desaparecer. Eu tinha outras coisas que estavam a acontecer a exigir a minha atenção, e além disso, eu não tinha o sistema de crença que me fizesse acreditar no que tinha acabado de acontecer.


Durante o próximo ano, Eu comecei a explorar ideias e filosofias que eu não tinha qualquer experiência antes. Eu li livros como “ Vida depois após vida” e “ Vida após a morte” e outras leituras que descreviam o que as pessoas chamam de “"Near Death Experiences," e eu comecei a lembrar-me o que tinha acontecido. Eu vi as semelhanças com o que outros tinha vivenciado, e ai eu soube o que me tinha acontecido. Eu também pensei nas semelhanças aquilo que nós consideramos o processo de nascimento “normal”, em que os bebés são nascidos para luzes brilhantes, com sons altos e serem-lhes dado uma palmada, e talvez a sua atenção fica tão direccionada a coisas exteriores que eles esquecem-se das suas experiências interiores mesmo antes do processo de nascerem.


De tempos em tempos, eu conheço outras pessoas que fizeram a viagem, e nós comparamos notas. “ Como é que foi para ti?” Uma mulher disse-me que antes tinha a certeza que haveria um Ser no outro livro com um grande livro, a ver o que ela tinha e não tinha feito fazendo certos e cruzes, boas e más notas. Quando ela chegou ao outro lado havia realmente um Ser com um grande livro tal como ela pensava que iria haver. Se bem que as únicas más notas que ela recebeu foi das coisas que não fez. O seu único pecado tinha sido a sua auto negação


O meu diagnóstico ao sair do hospital foi de “ Tumor na coluna cervical.” Não havia tratamento possível. Foi-me dado um a dois meses de vida, e eu decidi fazer disso a minha nova filosofia de vida de “estou contente que fiz.” Eu decidi trabalhar em mim próprio vida, trabalhar na minha consciência para libertar o tumor. Mais tarde os decidiram que deviam ter cometido um erro no diagnóstico,
Mas isso é outra história.


por Martin Brofman, Ph.D.

© Martin Brofman 1988